Essa não é a sua vida.

25 de março de 2007

Padeiro

As mãos dele tinham cheiro de doce. Aquele tipo de velhinho já meio calvo, de camisa xadrez e bem risonho. Me contou histórias de como desmascarou uma quadrilha de padeiros que desviava farinha dos presídios para vender pães mais baratos. Ou de quando tentaram sabotá-lo com duas caixas de sabão em pó na caixa d’água. Ano passado, seu José foi considerado o padeiro do século da cidade de São Paulo. Com direito a cerimônia com o prefeito Kassab e nota no Diário Oficial. Ele acha graça em contar que quando casou, nem ele nem a mulher compareceram, já que moravam em países diferentes e assinaram papéis a distância mesmo. Ele me falou uma coisa tão bonita sobre as coisas importantes na vida de um homem e que ele honrrara ter: “amor, coragem e dignidade”. Seu José é mais um daqueles que vez ou outra aparecem perdidos lá na recepção do jornal e eu tenho que atender. Me prometeu até 200 pães de graça quando eu precisar fazer um churrasco. Mas sr. José é diferente, ele é um padeiro super-herói.

3 comentários:

Anônimo disse...

salvem os pequenos negócios, e os praticamente puros de coração!

William Glauber Teodoro Castanho disse...

Qué-ri-da,
Não é uma semana de ausência de Diário, mas ausência de um alguém que você não conhece.
Bjs,
Will.

Sartorato disse...

Hm, certo. Entendi. Fale mais de você. Como é a sua relação com sua mãe?